O Panteão Nacional ocupa a igreja seiscentista de Santa Engrácia, no bairro de Alfama, em Lisboa, no Campo de Santa Clara, com vista para o Tejo. Iniciada em 1682 segundo o projeto de João Antunes — o primeiro grande arquiteto barroco português —, a edificação apresenta uma planta em cruz grega sob uma vasta cúpula central, revestida interior e exteriormente com os mármores portugueses coloridos que se tornaram uma marca da escola lisboeta do final do século XVII. A primitiva igreja paroquial de Santa Engrácia no local fora destruída por uma tempestade de vento em 1681, e a reconstrução foi concebida desde o início como um dos interiores barrocos mais ambiciosos de Portugal.
A construção demorou um tempo extraordinariamente longo. A cúpula permaneceu inacabada durante os séculos XVIII, XIX e grande parte do século XX, e a igreja só foi formalmente concluída em 1966, duzentos e oitenta e quatro anos após o seu início. A língua portuguesa preserva a memória deste atraso na expressão 'obras de Santa Engrácia' — usada para descrever qualquer projeto que se arrasta indefinidamente. O decreto que converteu Santa Engrácia em Panteão Nacional foi assinado em 1916, e os primeiros enterramentos e cenotáfios seguiram-se nos anos imediatamente posteriores. O edifício serve desde então como igreja memorial oficial de Portugal.
Os enterramentos e cenotáfios são o coração da visita. O memorial vazio — um cenotáfio — de Luís de Camões, o poeta épico português, encontra-se no interior da cúpula, apesar de os seus restos mortais se terem perdido há séculos. Os enterramentos reais incluem os escritores Almeida Garrett e Aquilino Ribeiro; a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen; Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente eleito da República Portuguesa; o líder da resistência Humberto Delgado; a fadista Amália Rodrigues, sepultada em 2001 numa cerimónia acompanhada por grande parte do país; e o futebolista Eusébio da Silva Ferreira, trasladado para o Panteão em 2015, após a sua morte no ano anterior.
Suba às galerias superiores e saia para o terraço no topo do edifício, e este transforma-se num dos grandes miradouros de Lisboa. O panorama de 360° a partir da base da cúpula abrange os telhados de telha vermelha de Alfama, o estuário do Tejo, o porto de cruzeiros, o Castelo de São Jorge do outro lado do vale, a Ponte 25 de Abril e a estátua do Cristo Rei na margem oposta. A cúpula atinge aproximadamente oitenta metros no seu ponto mais alto — modesto para os padrões das catedrais europeias, mas suficientemente elevada acima da encosta de Alfama para proporcionar uma vista que poucos visitantes esperam do interior de uma igreja.